Já tentei várias vezes criar um blog. Já tive um de coisas soltas de adolescente. Um de artesanato. Um voltado para adolescentes cristãos e um, que nasceu como uma brilhante ideia, mas que no final das contas virou apenas um layout bonitinho sem nenhum post significativo (cá entre nós, nenhum post mesmo!! hahaha)
Desde que me entendo por gente gosto de escrever (e por isso já quis ser jornalista). Gostava das aulas de português (que não nada mais eram do que aulas de redação, graças a professora carioca que achava que redação era tudo na vida!) e desde sempre ando com um caderninho ou bloco de anotações dentro da bolsa (aliás, tenho neura com cadernos, blocos e canetas, não sei explicar, mas simplesmente amo esse tipo de coisa!).
Durante meus últimos anos da escola freei um pouco a quantidade de coisas que escrevia por escrever e passei a me interessar especialmente pelo que uma amiga escrevia. Incentivei que ela criasse um blog e, como os textos dela eram mais coerentes - e genialmente mais brilhantes - que os meus (eles realmente falavam de alguma coisa e não de coisas soltas na cabeça de uma adolescente chamada Vitória), fui aos poucos parando de publicar.
Honestamente, meus posts eram mais releituras (para ser elegante! kkkk) de textos, poesias, músicas e fotos de outras pessoas do que necessariamente textos que dissessem algo sobre mim ou sobre qualquer coisa atraísse a atenção de quem estivesse do outro lado da tela. Muito raras exceções eu discorria de assuntos adolescentes (quase infantis) comuns a minha idade de sonhos e expectativas.
Passados alguns anos, essa amiga e eu nos distanciamos (ironicamente, graças ao blog que eu mesma incentivei a criação... talvez um dia eu fale sobre isso, quem sabe...) e finalmente eu parei de insistir nessa coisa de querer ser uma blogueira!
...
O tempo passou. Eu me formei na faculdade. Me casei. Tomei rumos diferentes e comecei a pensar que talvez 85% dos nossos problemas estejam ligados a falta de comunicação. Pensei que muitas vezes, perdemos um tempão tentando dizer o que pensamos e sentimos sem que as pessoas que estão a nossa frente consiga entender ou mesmo ouvir o que sai da nossa boca e coração.
Também pensei que as vezes seja mais fácil expressar com lápis e papel - ou com o teclado e computador (olha aí, a Vitória cheia de graça de novo!!!), do que com as palavras e gestos. Acho que isso acontece porque as pessoas não tem mais tempo de parar e nos ouvir e por essa razão, por mais que se use um português polido e requintado, o ouvinte não consegue compreender as entrelinhas do que se queria dizer. Não sei se todo mundo é assim, mas as vezes penso que eu falo árabe! As pessoas simplesmente não entendem!!! Então resolvi escrever de novo! Pelo menos não vou morrer engasgada!!
Francamente, não sei se meus posts serão lidos. Na verdade, não sei se eu quero que sejam lidos.
Não sei qual será a periodicidade que novos textos serão publicados. Não consigo mensurar o quanto meu cérebro e coração serão capazes de produzir. E também não sei se as pessoas que lerão meus textos irão gostar ou não do que vão encontrar aqui. Só posso dizer, pelo menos a principio, que esse blog é meu. Foi criado para mim e por mim, como se fosse o meu caderninho de anotações e pensamentos que anda comigo por todos os lados, dentro da minha bolsa. Nele será possível encontrar meus pensamentos, minhas inquietações, minhas perspectivas enfim, um pouco de mim.
Ele não está sendo criado com o intuito de agradar a ninguém ou mesmo servir de referencia para formar opiniões e pensamentos. São apenas fragmentos das milhares de coisas que passam na minha cabeça e que eu decidi colocar no papel (ou no computador) por duas razões muito simples. A primeira: para que eu não corra o risco de morrer engasgada - como já disse anteriormente. E a segunda, e talvez mais importante: para que eu não venha ser traída por mim mesma, deixando cair no esquecimento os fragmentos dos meus pensamentos, que constituem quem eu de fato sou e quem eu ainda quero ser.
Um comentário:
Só não conseguimos o que não queremos o bastante.
GK
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