Algumas pessoas sabem que eu pego carona com minha tia para ir e voltar do trabalho. Hoje, depois do expediente, minha tia precisou buscar minha avó em uma consulta de rotina que já estava agendada. Como ela tinha aula na faculdade depois, pediu que eu voltasse para o Barreiro de ônibus com minha avó, de modo que eu pudesse acompanha-la no ponto do ônibus e até que chegasse perto da sua casa. Assim o fiz.Entramos no ônibus e ela se assentou em um lugar preferencial que dois jovens haviam acabado de liberar e eu fiquei ao lado dela.Enquanto o ônibus descia a Av. Amazonas em direção ao Barreiro, ela olhava da janela e as vezes fazia algum comentário que me fazia rir. Eu ria, não dela ou do comentário, mas da forma ingênua como ela ainda conseguia ver o mundo louco e movimentado que vivemos.Eu comecei a observa-la e observei suas mãos segurando no banco da frente. Fiquei pensando no quanto aquelas mãos já haviam trabalhado na maquina de costura (diz a 'lenda' que foi através da costura que minha avó fazia que meus pais se conheceram - ou quase isso! Rs), o quanto aquelas mãos já haviam cozinhado (acreditem, não consigo imaginar a casa dela vazia, então certamente, ela já alimentou com o trabalho das suas mãos muito mais gente do que minha pequena capacidade pode mensurar!) e ainda o quanto aquelas mãos já haviam cuidado dos filhos, enteados e netos.Olhei novamente para minha avó e pensei no quanto a mamãe se parece com ela. Embora minha mãe não possua algumas das maiores habilidades da vó, (principalmente no que diz respeito à habilidade de preparar deliciosos quitutes e fazer pequenos consertos!), elas se parecem muito, principalmente fisicamente, e honestamente, eu não consigo olhar para minha mãe sem ver nela o reflexo da minha Vó Maria, que lutou e sofreu muito para criar a mamãe - e minha tia - num tempo tão duro e triste. Ambas são mulheres guerreiras, que admiro e respeito!Enquanto eu ainda olhava para ela alí no ônibus, fiquei pensando em quantas vezes eu já havia dito que a amava e demonstrado o quanto ela é importante para mim. Sinceramente, me lembro de ter dito isso para ela apenas uma vez, há algum tempo atrás, e a resposta dela foi bem tipo "d. Maria": - ah tá! Obrigada! (Rsrs)Quando cheguei em casa, fiquei pensando em todas essas coisas e me bateu uma certa tristeza...Meu START ligou! Eu percebi que nada dura para sempre e que um dia tudo o que vivemos ou as experiências pelas quais passamos não vão mais existir.Pensei que quando nós não mais existirmos, por mais que algumas pessoas nos amem quase que incondicionalmente, um dia elas também morrerão e com isso, nós seremos esquecidos pois elas levarão consigo as lembranças que nos mantiam vivos de alguma forma. E isso é um ciclo e é, infelizmente, inevitável!Pensei que como já diziam as Escrituras (e foi "parafraseado" por Niemeyer!) "a vida é um sopro" e quando menos nos dermos conta tudo terá simplesmente passado. Acabado. Chegado ao fim.E voltei a pensar na simplicidade da minha avó ali dentro do ônibus...Pensei no Flavio que eu amo mais do que eu consigo explicar. Pensei nos meus pais, que eu amo incondicionalmente. Pensei nos meus irmãos que são um pedaço significativo da minha história. Pensei no meu sogro - que já descansa no Senhor e me faz tanta falta! Pensei na minha sogra que é única! Certamente eu vou viver a vida toda e mais uns tres anos e não vou ter noticia de uma sogra como a D. Lúcia! Pensei nos meus cunhados, alguns muito próximos outros mais distantes. Pensei nos meus sobrinhos e afilhado que eu amo tanto. Pensei nos meus tios, nos meus amigos, nos meus pastores, nos colegas de trabalho... Pensei em tanta gente que eu queria abraçar e poder prolongar a vida por mais um instante...Pensei em uma música que eu gosto muito e que já fazia algum tempo que eu não ouvia. Ela diz:"Já não alcanço o passadoMeus limites percebiO hoje é tudo o que tenho, isso entendi Preciso trazer à memória histórias que desprezei Não posso me esquecer, tenho que oferecerFlores em VidaEnquanto é dia"Espero poder ter tempo para oferecer todas as flores que preciso entregar, enquanto é dia.
(Texto extraído do meu facebook. Postado originalmente me 29/05/205 as 23:35hs)
(Texto extraído do meu facebook. Postado originalmente me 29/05/205 as 23:35hs)
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